Roda carioca, de Jovino Santos Neto. Mais um lançamento Adventure Music. Visite: www.adventure-music.com.

Por Egídio Leitão

Publicada na Revista Agulha, setembro de 2006

A cada novo álbum que Jovino Santos Neto lança, ele continua sua surpreendente trajetória para solidificar sua posição como um instrumentista brasileiro de primeira linha, e ao mesmo tempo ele se aproxima de suas raízes como um dos membros da banda de Hermeto Pascoal. Seguindo seu lançamento de 2003 com Mike Marshall, Serenata - The Music of Hermeto Pascoal, Jovino não perde tempo ao retornar até mesmo melhor. Está claro que ele economizou muitas peças deliciosas para Roda Carioca (Rio Circle). Este álbum traz nove composições dinamite que próprio escreveu e dois outros números: o clássico de Moacir Santos, “Nanã” – com os inconfundível vocais de Joyce – e composição de Hermeto Pascoal “Juvenal no Grumari.”

Os músicos que Jovino Santos Neto (piano, melódica, flautas, acordeon, percussão) convidou para partilhar desta maravilhosa produção estão todos no auge de sua carreira. No baixo temos Rogerio Botter Maio – você deve se lembrar do disco dele de 2000 Aprendiz e dos elogios que ele recebeu, incluindo as palavras de Guinga “sugestivo, moderno, rico” -- e na bateria e na zabumba Márcio Bahia. Para acrescentar mais tempero à salada, os convidados especiais são Hermeto Pascoal (voz, melódica, eufônio de boca), Hamilton de Holanda (bandolim de 10 cordas), Fabio Pascoal (filho de Hermeto; percussão), Joyce (voz), Marcos Amorim (guitarra acústica) e Gabriel Grossi (harmônica).

Roda Carioca abre-se com um número de jazz sem rodeios no qual Jovino, Rogério e Márcio mostram a que vieram desde o início. “Estrela do Mar” às vezes poderia até mesmo te fazer pensar em “Take Five,” mas não causa confusão. Os solos de piano de Jovino fazem sala para as linhas de baixo deliciosas de Rogério junto com a performance imponente de bateria de Márcio. Mudando prontamente para um animado baião, Jovino alterna esplêndidos solos no piano, melódica e acordeon em “Marfim.” Este é uma viagem brasileira sem parada. Do baião, seguimos para uma gafieira contagiante em “Gente Boa.” A apresentação de Hamilton de Holanda e seu bandolim de 10 cordas é mágica neste número. E o que dizer sobre “Nanã” de Moacir Santos”? Se a composição fosse interpretada apenas instrumentalmente, você já estaria satisfeito. No entanto, Jovino rasgou o envelope e acrescentou as piruetas vocais que só Joyce sabe fazer sem negligenciar os magníficos solos instrumentais do começo ao fim deste arranjo. Uma outra visita ao nordeste do Brasil vem com “Coco na Roda,” um agradável tributo ao grande Jackson do Pandeiro. O trio sozinho volta no samba macio “Homeopatia”, com uma melodia firme e a medida certa de suingue. Dando um apoio neste número, o filho de Hermeto, Fabio, toma conta da percussão. Falando de Hermeto, o Mago mostra aquilo pelo qual ele é conhecido em “Juvenal no Grumari.” Tocando um eufônio de boca, um papel de bala, um copo de água e uma melódica neste diabólico arranjo, Hermeto sai absolutamente de todos os limites. O trio encontra o mestre sem hesitação no que é provavelmente a mais surpreendente composição no álbum. Naturalmente, depois de uma composição tão vívida, é bem natural que a guitarra acústica de Marcos Amorim leve as coisas um pouco para um andamento suave em “Rancho Azul.” Não sossegue muito imediatamente. Com o choro “Bach-Te-Vi,” o solo de harmônica de Gabriel Grossi te trará de volta com esta agradável mistura de Bach e choro brasileiro.

Surpresas atraentes, ritmos contagiantes e performances de habilidade estão presentes em todas as faixas de Roda Carioca. Se você gosta de boa música instrumental brasileira com linhas melódicas fresquinhas, Jovino Santos Neto gravou justamente o que você está procurando com Roda Carioca. Entre na roda e aprecie o som do Rio que você tem aqui.

[Egídio Leitão]

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