Revista Jazz+, Ano 2, No. 7 (2005)

Que a música Brasileira vai muito além da Bossa Nova é evidente. No entanto, a grande dificuldade é fazer com que estilos regionais - como o choro- aterrissem no mercado externo. Em seu último disco, Canto do Rio, o pianista Jovino Santos Neto apostou no resgate a ritmos brasileiros praticamente esquecidos, dando-lhes uma nova aparência, apoiada no jazz, para conseguir tal feito. A marcha, o maracatu e o batuque - ritmo de origem africana de onde surgiram diversos gêneros musicais, dentre eles o samba - são integrados aos novos arranjos e melodias compostos por Jovino. O pianista contou com a participação de músicos estrangeiros para a produção do álbum, entre eles o bandolinista Mike Marshall, que sola e harmoniza como um guitarrista em Guaratiba. Em certos momentos, como as mudanças no andamento rítmico de Primavera em Flor, é identificada a influência de Hermeto Pascoal - com quem Jovino tocou durante 15 anos. Canto do Rio é um autêntico disco de jazz. Não poupa em criação e improvisos, que se alternam e complementam-se. Mas, pelo balanço e riqueza rítmica, é impossível não reconhecê-lo també como um legítimo disco de MPB. (Mario Mele)